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MERCADORIA E PSIQUISMO

29/6/2009

Marx anuncia no prefácio da primeira edição d’O Capital que “para a sociedade burguesa, a forma elementar da economia é a forma de mercadoria do produto do trabalho ou a forma do valor da mercadoria”. É por este motivo que Marx parte no primeiro capítulo do livro I d’O Capital da análise da mercadoria, pois é a partir do des-vendamento desta “forma elementar” que irá apreender as leis gerais do Capitalismo.
 
Neste capítulo, Marx realiza a análise da mercadoria partindo da aceitação de que ela é tal como se apresenta imediatamente aos nossos sentidos, isto é, “trivial” e “valor de uso”, servindo para a nossa utilidade e necessidade, seja esta proveniente do estômago ou da fantasia. A partir da troca de valores de uso cotidianamente praticada pelos indivíduos, Marx define a mercadoria também como valor de troca, propriedade empírica, apesar de inapreensível aos nossos sentidos. Através de uma operação de abstração do valor de uso, Marx passa à relação de troca das mercadorias, e alcança a definição de que a mercadoria é valor de uso e valor. Por fim, chega a uma negação cabal da primeira definição de mercadoria, revelando o seu fetichismo ao concluir que não é esta que é útil para nós e que está submetida às nossas necessidades, mas são as nossas necessidades que se encontram submetidas à mercadoria.
 
Marx nos revela a essência da mercadoria pela negação de sua aparência de objeto trivial a serviço de nossas necessidades, invertendo as inversões contidas na manifestação imediata da mercadoria aos nossos sentidos. Realiza um movimento negativo que analisa o objeto des-virando-o do avesso. Este é o método dialético empreendido por Marx que parte da mercadoria para chegar à mercadoria, mas de forma a deduzir o seu contrário - de maneira implosiva - ao revelar o seu fetiche, superando o ponto de partida no ponto de chegada. (Carone, 1984). Mas, nos foquemos brevemente neste terceiro movimento analítico de Marx, que nos revela o fetichismo da mercadoria. É que o fetichismo não significa apenas que os produtos do trabalho ocultam, sob a forma mercadoria, as relações de trabalho, como Marx quer dizer ao escrever “Eles não o sabem, mas o fazem”, ou seja, que os homens ao realizarem o ato de troca de mercadorias não sabem que estão equiparando os diferentes tipos de trabalho. Mas o fetichismo oculta também como o movimento entre coisas se autonomiza e escapa ao controle, ação e vontade dos indivíduos que ficam submetidos por este movimento. Ocorre uma personalização das coisas (e a “forma mercadoria mesa”, como nos diz Marx, desenvolve sutilezas metafísicas muito mais estranhas do que se começasse a dançar por si própria) e uma coisificação das pessoas. A relação de exploração entre os seres humanos é ocultada e aparece como relação entre troca de coisas. Isto se torna mais claro quando Marx compara o capitalismo com outras formas de produzir a vida em que não há fetiche por não haver forma mercadoria.

Este é o fetiche da mercadoria no capitalismo. E o fetiche do psiquismo? Possuem alguma relação? Parece que sim... Freud em seu texto Fetichismo (1927) relata o terror do pequeno menino diante da constatação da ausência de pênis na mãe, experimentando uma intensa angústia – a angústia de castração – por saber que também corre o perigo de perder o seu pênis (ou outro equivalente fálico, posteriormente). Assim, a eleição de um objeto ou pedaço de objeto servirá para ocultar o que já se viu, o que já se sabe que viu, mas que não quer saber, como forma de defesa contra o horror da castração, conforme continua Freud: “permanece um indício do triunfo sobre a ameaça de castração e uma proteção contra ela”. Pode ser o sapato, o pé, peças de roupas íntimas, ou qualquer outro objeto-fetiche que moverá e sustentará o desejo do fetichista por condensar, ao mesmo tempo, o saber sobre a castração da mulher e o primado fálico das teorias infantis que o negam. (Kehl, 2004)


Assim como o fetiche da mercadoria, o fetiche do psiquismo funciona para ocultar algo, algo de que o sujeito sabe - apesar de não o querer saber – e faz. Nesse sentido, a elaboração marxiana “Eles não o sabem, mas o fazem” poderia, numa elaboração freudo-marxiana, resultar em algo assim: “Eles o sabem, e o fazem”. E é justamente no poder de ocultamento, de negação e de segredo – seja da exploração capitalista, seja da diferença sexual/castração – que se localiza a força do fetiche, seja no “brilho do nariz” como desvendou Freud, sejam nas “sutilezas metafísicas” mais estranhas do que uma ‘mesa que dançasse por si própria’, como desvendou Marx. Mas há ainda algo importante sobre a relação entre os dois fetiches. O fetiche freudiano é constitutivo/estruturante da subjetividade, mas o sujeito é sempre sujeito histórico-social e, no capitalismo, sujeito do capital, subjetividade produzida sob o capital. Então, o modo de produção psíquica fetichista que estrutura o sujeito depende do modo de produção capitalista fetichista que estrutura a sociedade.


Resta saber em que mudou a sociedade capitalista produtora do fetiche freudiano e, nessa medida, em que mudou o próprio sentido do fetiche freudiano, mas esta é outra história...



Referenciais Bibliográficos

Carone, I. A dialética marxista: uma leitura epistemológica. Psicologia social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 1984.

Freud, S. Fetichismo (1927). Rio de Janeiro: Edição Standard Brasileira, 1976.
Kehl, M. R; Bucci, E. Videologias. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004.
Marx, K. O capital. Crítica da economia política (1867). Livro I, Vol. 1. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

COMENTÁRIOS:(15)

  • 9/8/2009 13:47:16
    Nome:LAURO CAMPOS
    Comentário:Considerando as idéias de fixação e regressão em Freud, não seríamos todos "enfietiçados" vez ou outra? Outra questão: não seria o dinheiro mais axial hoje nas questões do psiquismo; não teria tomado o lugar do sexo?

  • 9/8/2009 21:04:46
    Nome:LOREDANA
    Site / Blog:www,psicorama.com.br
    Comentário:Acho que Lauro colocou uma questão importante: o tal do monetário... Que canseira!!! Continuarei em breve!

  • 11/8/2009 12:14:49
    Nome:LUCIA DEZAN
    Comentário:Oi, Lauro, oi, Lore, pensando assim, sim, e penso que mais do que "vez ou outra", vivemos 'enfeitiçados', ao menos em parte, não é? Caso contrário, cairíamos nos cálculos mortemáticos que discutíamos acima...Há algo do humano nesse 'enfeitiçamento', ainda bem... Ao contrário do fetiche da mercadoria, historicamente delimitado no capitalismo, e que concretiza o seu ápice na mercadoria dinheiro, fetiche por excelência no capital, e axial como você bem disse no impacto psíquico que possui. Mas que a fantasia e o sexo - ou melhor dizendo a genitalizaçao da sexualidade ou a sua dessexualização - têm adentrado o lugar do poder, têm, hein???

  • 17/8/2009 01:37:05
    Nome:DOMENICO
    Comentário:Oi Lucia! Que legal esse espaço de discussão. Mas serei um pouco mais “estrangeiro” na minha fala, sem querer estar preso à gramática psicanalítica. Sobre a suposta castração da mulher, será que hoje em dia ainda devemos dar credibilidade a essas especulações freudianas de 1927? Eu sempre estranhei essa questão da falta do “falo”, ser encarada como uma “falta” na mulher. Não acho que as mulheres sejam “faltantes”, e nisso estou de acordo com as teóricas feministas, que tecem uma série de críticas ao falocentrismo psicanalítico. A falta feminina, ao meu ver, é mais uma construção social, corroborada pelos construtos psicanalíticos, do que algo que estaria no âmbito filogenético. Sobre o fetichismo, será que sempre está a serviço de uma ocultação de algo? Não sei também, me lembro da crítica dos pragmatistas de que os psicanalistas sempre querem postular que há algo encoberto, algo escondido, algo ocultado. Às vezes isso me parece uma discussão essencialista, em que sempre há uma essência atrás da aparência, ou que há um prazer voyeurístico psicanalítico em sempre querer ver o que está debaixo das cobertas. Às vezes não há nada embaixo das cobertas, às vezes, parafraseando P. Valery, o mais profundo é a pele... E isso do objeto não existir, não sei, sou mais propenso a pensar que a consciência, ou o sujeito, que não existe... Bjs!

  • 17/8/2009 22:44:12
    Nome:LUCIA DEZAN
    Comentário:Olá, Domênico!!! Sempre implodindo...falas da Espanha ou já estás aqui??? Vamos lá, a compreensão da sexualidade feminina em Freud é mesmo complicadíssima, como se a única saída para a mulher, presa à tal da inveja do pênis, fosse sempre uma saída histérica, faltante, à busca de algo que nunca terá. Esta saída era a única saída das mulheres da burguesia vienense que o Freud escutava e determinada pelo contexto sócio-histórico-político no qual Freud estava inserido. Como referencial psicanalítico que tenho, admito sim que a falta estrutura o sujeito. Você não acredita nem em falta nem em sujeito, e sei bem pelas nossas discussões, pelas suas referências teóricas. Mas penso eu que tal falta estrutura tanto homens como mulheres e a busca da completude encontra-se presente no desejo de ambos. Acho justíssima e concordo com a crítica feminista à concepção freudiana falocêntrica da sexualidade, concepção reacionária e que mantém a mulher no lugar da opressão e da passividade. Mas isso não anula a teoria freudiana da sexualidade, o que seria jogar fora o bebê junto com a água da banheira... Como marxista, penso que a negação da existência do sujeito é a negação de qualquer possibilidade de um sujeito histórico revolucionário, o que serve muito bem ao projeto capitalista. Aliás, acredito tanto no sujeito desejante quanto no sujeito revolucionário que, sem abrir mão do seu desejo (não o desejo disso ou daquilo, de consumo, da propriedade privada, no sentido banal que se fala, mas o desejo que se constitui a partir da relação com o outro, que nos torna humanos, simbólicos), pode se contrapor como classe ao capital. Quanto à questão de haver sempre algo encoberto, tendo a responder em dois contextos diferentes. Primeiro, lhe respondo que parto de uma concepção da natureza contraditória da sociedade capitalista em que fenômeno e essência não coincidem imediatamente, pois se assim o fosse, como Marx diz, “toda a ciência seria supérflua”. A dialética seria supérflua e não haveria necessidade desta ciência para desvendar as contradições, já que não haveria contradições a serem desvendadas e O QUE É apareceria especularmente COMO É. Neste ponto, marxismo e psicanálise dão as mãos, e me parece bastante ingênuo pensar que basta olhar para entender, é preciso analisar, sempre!!! Mas sei também que você não é adepto da análise dialética. Por outro lado, gostei muito da sua referência ao P. Valery, pois uma parcela considerável na psicanálise se esqueceu do corpo, desta imediaticidade, onde justamente a dor se instala e o pior disto foram as conseqüências políticas, já que esta tarefa virou um grande “filão” para as neurociências que têm feito um uso bastante perverso junto à indústria farmacêutica. E parafraseando uma belíssima canção do querido Sílvio Rodrigues, "ainda romântica e imposmodernizável”, beijo, Lucia

  • 19/8/2009 23:04:57
    Nome:DOMENICO
    Comentário:Oi Lu! Que resposta rápida! E quanta coisa legal vc escreveu! Tenho alguns poréns que colocarei a seguir: Bom, acredito em falta e sujeito sim, mas penso que a psicanálise dá um lugar à falta e a “completude” muito maior do que deveria. Há completudes? Quem busca completude? Por que completude? É decorrência direta; se buscamos completudes, haverá faltas. Mas não consigo compreender esse ideal de busca de completudes, de totalizações, de sempre buscar colocar a experiência numa totalização. Para mim a busca de totalizações é um movimento de captura, de codificação, um movimento de Estado, imperialista, de padres, ou sua forma mais moderna e cara; os psicanalistas. Bom, não acho que divergimos de referências teóricas não, um ou outro autor, mas a base é quase a mesma, Freud e Marx, por mais que vc os tenha lido melhor (exceto a parte “social” de Freud, que imagino ter trabalhado mais); ambos somos uma espécie de freudomarxistas. Por mais que eu considere o projeto político marxista um puta dum contra imperialismo, que virou outro imperialismo, ou mesmo a colonização das mentes via psicanálise, assumo que me ancoro em algumas coisas que estão nesse campo. Mas marxismo e psicanálise tb estão de mãos dadas no efeito imperialista e colonizador. Não nego o sujeito, mas prefiro pensar na inversão do cogito, da mesma forma que Deleuze, na estruturação de um campo transcendental, que tira a determinância da consciência na vivência da experiência. E nesse campo não faz muito sentido em dividir em essência e aparência, pelo menos não em apenas dois termos, as coisas podem aparecer de diversas formas, distorcidas, torcidas, enferrujadas, mas isso não quer dizer que haja UMA essência, isso me soa quase religioso, como se houvesse uma alma das coisas, apenas UMA idéia, um diagrama, uma máquina abstrata. A psicanálise vendeu o Édipo, o marxismo a contradição de classes e a luta contra o capitalismo, creio que a sanha p/ “traduzir” o que “aparece” no que “é” foi extremamente redutor e empobrecedor, havendo uma ditadura das “verdades” marxianas e da Gramática psicanalítica. Ao invés de reduzir a análise na busca de essências é mais rico produzir agenciamentos e acontecimentos. Humm, mas quem disse que a ciência não é supérflua? Será que a ciência ocupa um estatuto superior? Não sei... Mas hoje em dia é possível a constituição de um sujeito histórico revolucionário? Ou melhor, o que é um sujeito histórico revolucionário? Ou então, o sujeito desejante já não é o sujeito revolucionário? Bom, me sinto mal em reduzir questões super importantes em mal traçadas linhas, mas tudo pelo prazer da discussão. Bjs do seu amigo ainda na Catalunya!

  • 24/8/2009 23:07:18
    Nome:LUCIA DEZAN
    Comentário:Domenico, realmente esta discussão toca em pontos muito delicados e complexos, e as palavras traem...mas vamos, então, pelo prazer da discussão!!! Bem sabemos que o campo da política e da ciência são também o campo da religião, logo, o campo da psicanálise e do marxismo não são exceção, e foi muito do que aconteceu com ambos, transformados em verdadeiras igrejas pelos seus mais religiosos militantes e, nesse sentido, a crítica do Foucault é brilhante ao uso que foi feito da psicanálise na adaptação dos sujeitos ao status quo ou como vc disse na “colonização das mentes”. O uso que foi feito do marxismo também foi religioso, convertendo-se naquilo mesmo que criticava, o stalinismo e outras experiências políticas nos ensinam isso. Mas também uma coisa é a Psicanálise e o Marxismo, outra coisa é o uso que se pode fazer. Percebo o enorme ressentimento ao marxismo por parte de ex-trotskistas e ex-stalinistas, principalmente nos debates acadêmicos, como se ser marxista e comunista hoje fosse ser stalinista e o ranço que presencio nestes debates é assustador!!! Tenta-se por todos os meios desqualificar o marxismo ou dizer que dele só restou a crítica do fetichismo!!! Com todas as críticas justas ao uso da psicanálise ou à própria Psicanálise em si, penso que é, no mínimo, leviano o sentido da sua comparação do psicanalista ao padre. Sabemos bem que a moral religiosa é calcada na culpa, na punição, e a confissão é método de constrangimento e expiação da culpa pela reza. A ética psicanalítica, ao contrário, é extremamente libertária, ao tentar justamente se contrapor à culpa e, inclusive, à moral religiosa, e ao reenviar o saber ao sujeito que o porta em sua própria história, a história do seu desejo. A moral religiosa e a ética psicanalítica são completamente distintas e colocá-las lado a lado por terem pontos de contato em sua gênese não deixa de ser uma leitura totalizante, como você próprio critica, não??? Aliás, não penso que o trabalho científico - na psicanálise e no marxismo - de desvelamento da aparência em essência leve a uma ditadura das verdades (não que este uso não tenha sido feito), mas pelo contrário, pode levar ao desvelamento das várias faces da verdade, as várias faces da verdade de cada sujeito em sua história singular ou as várias faces da verdade de cada sociedade em sua história particular, sem 'desbundar' para um relativismo pós-moderno que se manifesta, por exemplo, como ‘multiculturalismo’, de forma a encobrir a lógica político-econômica do capital que não tem pátria!!! O capital sim é totalizante e promove a ditadura da verdade!!! Inclusive o lema do capital de exaltar a diferença não serve ao respeito à alteridade, mas pelo contrário, serve ao ensejo de um processo que promove a divisão. E como que, por exemplo, sem o trabalho científico árduo, se teria descoberto o dinheiro como mercadoria??? E, por conseqüência, toda a (i)lógica de funcionamento do capitalismo???? Só de olhar para o dinheiro se saberia??? Isso não quer dizer que a ciência ocupe um “estatuto superior” ou algo assim, mas dizer que é supérflua é que me parece supérfluo, não? O sujeito revolucionário...não sei...hummm...este é um ponto muito nebuloso, só posso dizer que ao falar de sujeito revolucionário me refiro a um sujeito que não é apenas efeito direto e mecânico das relações sociais como o ‘marxismo vulgar’ proliferou, mas a um sujeito que pode resistir e se contrapor à ordem, como o Iasi fala nas ‘Metamorfoses da consciência de classe’, de um sujeito que se encontra entre a negação e o consentimento, que ora se assujeita à ordem, mas que ora pode negá-la e se contrapor a ela, para não cair em categorias simplistas de “traição de classe” dos trotskistas ou na concepção do Gorender que falava que o proletariado era “ontologicamente reformista”, lembra??? É isso, beijão,Lu

  • 25/8/2009 12:34:41
    Nome:LUCIA DEZAN
    Comentário:Ah, confesso que tava aqui pensando...difícil saber o que seria ser revolucionário hoje diante de tanta permissividade,não??? subverter o que??? passo a batata quente...

  • 7/9/2009 09:01:54
    Nome:LOREDANA
    Site / Blog:www,psicorama.com.br
    Comentário:Talvez brincar de querer ser feliz ainda seja revolucionário...

  • 15/9/2009 17:28:46
    Nome:MAÍRA FERREIRA
    Comentário:DOMENICO, LUCIA..ê mundo "bem" frequentado!!!

  • 5/10/2009 14:58:21
    Nome:DOMENICO
    Comentário:Maíra! Como vai? Faltou em Roma; mas nem foi tao bom assim... Loredana, permita-me discordar de vc, será que brincar de ser feliz é revolucionário? Nao sei se o "estado do mundo" é a infelicidade. Talvez para a civilizaçao e seus descontentes, quem sabe... Lu, nao fique brava quando comparo a psican´lise à religiao. Os mecanismos de uma e outra doutrina sao muito semelhantes. A observaçao que faço é muito curta, mas é a partir da crítica que Deleuze e Guattari, apoiados na Genealogia da moral de Nietzsche, que aproximam a figura do sacerdote, que traz o ressentimento, a culpa, a má fé, etc, à sua atualizaçao moderna: o psicanalista. Se vc diz que a psicanálise é libertadora, afirmaçao do desejo, etc, é o seu viés, é o lado erótico (de vida) que vc dá a ela, pois o que Mrs Klein coloca é outra coisa, por exemplo, a posiçao depressiva é constituída através da elaboraçao da culpa, ou mesmo p/ os lacanianos, que o desejo é a restituiçao de uma falta... Para mim, isso tem os mesmos efeitos pragmáticos dos dogmas religiosos. Vc nao precisa concordar, mas chamar de "leviano" minha afirmaçao anterior me soa muito "moral", rs. Perdoe-me as provocaçoes, vc sabe que eu gosto delas! Bjs!

  • 13/10/2009 20:44:59
    Nome:LUCIA
    Comentário:Dômenico, não tem a ver com bravice, trata-se de uma discussão de referências teóricas, portanto políticas, que estão sempre atravessadas por intensas paixões. Falo com paixão, e sem compaixão...rsrs Quando falei do “sentido leviano de sua comparação” me referi à falta de cautela e à imprudência pela parcialidade da sua afirmação, mas cautela/prudência e paixão também não combinam, né??? Esta critica à psicanálise do Deleuze/Guattari via Nietzsche identificando o padre e o psicanalista é muito parcial penso, desconsidera as enormes diferenças entre a moral religiosa e a ética psicanalítica. O próprio Freud, aliás, ele e o Nietzsche, foram os maiores críticos dos estragos da culpa na vida humana. E a ferrenha crítica freudiana da religião como ilusão frente ao próprio desamparo??? Em inúmeras obras Freud criticou veementemente a religião, sua função no psiquismo e a moral aprisionante que a acompanha. Temos também penso que falar em Psicanálises, pois algumas fazem um uso religioso e aí a sua comparação é crítica e justa, beijos.

  • 8/9/2013 17:10:53
    Nome:JDHLMYPU
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    Comentário:Este Governo quer "roubar-me" dois meses de sale1rio para que descontei dutanre 45.5 anos com Tropa Obrigatf3ria incluedda onde me pagaram na faltima fase desse servie7o 400 Escudos por meas -2 Euros- e acham que team todo o direito de o fazer assim, sem mais nem menos...Para ale9m disso pretende retirar-me outros direitos como os que estavam consignados na Lei Fiscal no momento da Declarae7e3o Fiscal e ainda aumentar-me os encargos com a manutene7e3o da minha habitae7e3o prf3pria fazendo inflacionar o seu valor para com isso me ir "roubar" mais uns Euros anualmente...c9 esta a poledtica deste Governo...Os que eles defendem se3o fundamentalmente aqueles que mais facilmente se movem nestes meandros, por exemplo conhee7o Emprese1rios que metem tudo o que e9 despesa do Supermercado nas contas do IRC, metem a Luz, c1gua, Restaurantes, letras do Carro, Portagens, Gasolina, manutene7e3o, etc...

  • 9/9/2013 10:20:08
    Nome:BKEBFQLY
    Site / Blog://www.facebook.com/profile.php?id=100003443606109
    Comentário:Mas o gerente ne3o"//jkxzgcx.com"> poerdia fazer Ploft , obviamente ele acharia que o Alonso estava correto e daria outra juntada no Programador por ter dado uma desculpa esfarrapada , kkkkkkkkkk.

  • 9/9/2013 17:59:14
    Nome:O2XZPI1AI
    Site / Blog://www.facebook.com/profile.php?id=100003443784866
    Comentário:disse:Troque o que vocea ne3o usa mais por algo que te interesse “Nesse site e9 possedvel neacgior de tudo – mesmo! De casa e veedculos ao seu raro e1lbum de figurinhas da de9cada de 70, ate9 um Pf4nei. Para isso, basta fazer um simples cadastro no servie7o e comee7ar a anunciar os seus produtos ou fazer propost //xktyez.com [url=//pkasrxjhbaf.com]pkasrxjhbaf[/url] [link=//dycyqy.com]dycyqy[/link]

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