OLHO VIVO

Imprimir

"LÁGRIMAS NA CHUVA..."

31/3/2010

Quem (o quê) são os replicantes no filme Blade Runner? São andróides fabricados pela toda-poderosa Tyrell Corporation e são do modelo Nexus-6, fisicamente idênticos aos humanos, só que bem mais fortes e ágeis. Sua composição genética, no entanto, acarreta certos efeitos, ou melhor, "defeitos colaterais", tais como alta instabilidade emocional e extrema agressividade. Devido a isso, são programados para viver apenas por quatro anos. Eles, porém, fogem das colônias onde trabalham nos serviços mais pesados e vêm para a Terra, infiltrando-se entre os humanos para tentar descobrir seus engenheiros criadores e aumentar seu tempo de vida. Cabe, pois, ao Estado, encontrá-los e, numa espécie de recall, "aposentá-los".

O trecho escolhido do filme, no vídeo acima, que trata do confronto final entre Deckard, o caçador de andróides e Roy, o líder dos replicantes, põe foco nesta questão fundamental que inquieta o ser humano há milênios: não conformar-se com o fim, com a morte; apesar dos pesares, agarrar a vida com as mãos a ponto de querer perpetuá-la.

Nesse sentido, somos todos mais ou menos parecidos com os personagens do filme: com graus variados de adaptação e "replicância", dependendo das circunstâncias, pois assim caminha a humanidade.

E lá vamos nós, construindo pirâmides e monumentos, escrevendo teses, montando álbuns de fotografias, apegando-nos a cada pequeno resíduo de história, justapondo significados, iludindo-nos com "eus" unificados, buscando desesperadamente um rumo, um sentido, entorpecendo-nos para tentar esquecer, enfim, que somos todos marcados pela cisão e que este é o preço, aliás, para pertencer, bem ou mal, a assim chamada civilização. Essa mesma civilização que, no filme, é sintomaticamente representada numa Los Angeles futurista, hiperglobalizada, babélica e encharcada de chuva ácida e deprimente.

Quanto ao FIM, já que o dito cujo é inevitável, que seja, de preferência, happy. Depois de tantas tears in the rain, ver Deckard e Rachael (sua amada replicante) a sobrevoar uma terra luminosa e paradisíaca, sempre ajuda a dar um grande suspiro de alívio, não é mesmo? Porém, sem perder a "replicância" jamais!


Colaboração: Assis Carvalho

COMENTÁRIOS:(6)

  • 1/4/2010 16:20:03
    Nome:PIERRE
    Comentário:Deckard parece não crer que Roy, nos últimos momentos de vida tenha mostrado o aprendizado definitivo na sua capacidade de TUDO fazer com Perfeição, a ponto de passar não somente a lutar pela vida, como ele perseguia incessantemente desde o início, como também passar a compreender o seu próprio valor (o da vida).
    Ao torná-lo seu, não poderia + retirá-la de alguém que, como ele, lutava pra preservá-la&mantê-la, independente de todas as dúvidas&incertezas, de alguém que lutava insistentemente pra viver...

  • 1/4/2010 19:07:36
    Nome:LOREDANA
    Site / Blog:www.psicorama.com.br
    Comentário:"Lost like tears in the rain..." And there he goes! And there is no pain... after all.

  • 1/4/2010 20:16:20
    Nome:PIERRE
    Comentário:Ó as palavras finais de Deckard (Harrison Ford) depois da morte de Roy (Rutger Hauer) em BLADE RUNNER (Ridley Scott, 1982):
    [voice-over] "I don't know why he saved my life. Maybe in those last moments he loved life more than he ever had before. Not just his life, anybody's life, my life. All he'd wanted were the same answers the rest of us want. Where did I come from? Where am I going? How long have I got? All I could do was sit there and watch him die."

  • 2/4/2010 09:27:55
    Nome:LUCIANO
    Comentário:Hoje, 02 de abril de 2010, em plena sexta-feira santa, o Roy poderia então cantar: "Às vezes quero crer, mas não consigo É tudo uma total insensatez E aí pergunto a Deus: Escute amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez?" (Vinícius de Moraes)

  • 5/4/2010 13:19:45
    Nome:PIERRE
    Comentário:O desabafo final de Roy é um grande momento "dramatúrgico" do cinema, bem como a trilha do Vangelis!
    E Blade Runner traz 1 mundo futurista(?!??) exatamente como eu pensava, do ponto de vista da geografia humana. Terra arrasada, gente pra kct, chineses vendendo yakisoba nas ruas do mundo inteiro, flats minúsculos, uma coisa angustiante...
    Bem, com ou sem Blade Runner, será a humanidade uma equação insolúvel? Aliás, inequação?(?)...
    Luciano, se Deus ex-iste, ele deixa o pau comer(??).

  • 7/4/2010 18:28:27
    Nome:LUCIANO
    Comentário:PIERRE - Deus precisou ser inventado porque o pau era sempre comido e ninguém lhe dava o devido valor. rsrs

Envie seu comentário

voltar

Irmãs Ross...Uma relíquia
Fantásticas, famosas na época.

.

Psicotramas

16/08 - Lançamento do livro Crônica de uma Ilha Vaga
Núcleos de Formação Permanente no CEP

Psicorama © - Todos os Direitos Reservados
psicorama@psicorama.com.br

MFSete